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Objetivos do projeto

Em praticamente toda área pública (parques, praças, largos) existem colônias de animais errantes, principalmente gatos, e, em menor número porém mais visíveis, cães. Reproduzindo-se de forma descontrolada e sem acompanhamento veterinário, esses animais acabam por ser malvistos pela população, são maltratados e freqüentemente considerados como vilões pela saúde pública - que sistematicamente usa o mais antigo e menos eficiente método de controle: a simples captura e posterior eutanásia.

O objetivo deste trabalho é criar um modelo que possa ser estendido a áreas com características semelhantes (onde haja colônias felinas e ocorra abandono de cães e gatos). Consiste em promover o manejo global desses animais, através de um controle populacional e de zoonoses feito de forma ética e humanitária, e que coloque em sintonia a saúde pública, o bem-estar animal e os anseios da população, sem prejuízo para nenhum dos lados. Tal enfoque já é largamente usado em países desenvolvidos, onde há anos são executadas ações relativamente similares à do Bicho no Parque.

Qualquer ação como a aqui proposta, no entanto, somente terá efeito duradouro se for sustentada por um trabalho simultâneo de conscientização da população quanto à posse responsável de animais. O Projeto Bicho no Parque prevê várias campanhas nesse sentido, nos próprios parques e demais áreas públicas.

Atuação do Projeto Bicho no Parque

As primeiras experiências do Projeto Bicho no Parque estão acontecendo em uma área da cidade de São Paulo - SP. A sistemática utilizada ainda está em fase de teste, porém consiste em, primeiramente, promover a união e o comprometimento das pessoas que já alimentam os animais. A criação de um grupo coeso e organizado pode otimizar os recursos disponíveis, evitando desperdícios e aplicando a receita economizada em outros fins, como a castração e os cuidados veterinários necessários para a saúde dos bichos.

A partir do contato e das informações obtidas com essas pessoas, é feito um levantamento e cadastramento detalhado dos animais que habitam a área. Com estes dados, pode-se estimar os custos, prazos e prioridades do manejo, bem como definir quais animais são adotáveis e quais não, quais deverão ir para um lar transitório para esperar pela adoção e quais voltarão ao local de onde foram retirados - sendo que jamais deverão ser libertados em outras áreas que não as de origem.

O passo seguinte é a captura dos animais, seguindo uma escala de prioridades, para castrá-los, vaciná-los e dar eventuais cuidados veterinários. Somente depois destes procedimentos é que eles poderão ser doados. No entanto, devido à carência de espaço e mesmo de recursos, alguns animais podem voltar ao local de origem enquanto não são adotados, sendo porém monitorados diariamente pelos voluntários do grupo formado - que, além de zelar pela sua saúde, ainda controlarão a população, dando destino imediato a animais recém-abandonados ou chegados.

Todos os animais que voltam para as áreas em questão devem ter uma marca visível, de preferência na orelha, para que qualquer pessoa possa identificá-los como castrados e vacinados. O Bicho no Parque também começará a tatuar e microchipar todos os animais do projeto a partir de Abril/2008.

Um banco de dados online, de acesso restrito aos envolvidos com o trabalho e às autoridades competentes, será um dos produtos finais deste trabalho. Com ele pretende-se evitar a eventual captura de animais saudáveis que já foram esterilizados e que estão sendo monitorados.

Manutenção

Apesar de todo este trabalho, é preciso sempre ter em mente que, por mais animais que sejam castrados e/ou doados, a reposição ainda pode ser de certa forma constante. Ela ocorre por conta da posse irresponsável de animais por seus donos - seja por permitirem o acesso dos cães e gatos (principalmente não castrados) a áreas públicas sem acompanhá-los, seja pelo próprio abandono consciente. No entanto, a castração e o monitoramento na área abrangida pelo BNP já mostraram ser possível o controle. Também é necessário lembrar que uma eventual retirada maciça de uma espécie de animal que há muito tempo habita determinada área, atuação normalmente defendida por agentes sanitários e outros, pode abrir caminho para infestações de outras espécies (por exemplo, a retirada de gatos pode gerar uma conseqüente infestação de roedores), além de ser uma tática comprovadamente ineficaz no que diz respeito ao controle dos gatos (em pouco tempo novos indivíduos aparecerão).

Por fim, para dar uma sustentação a este projeto e minorar ao menos parte do problema de superpopulação e abandono de animais é fundamental que campanhas de conscientização e de castração a preços acessíveis (ou de graça) sejam promovidas pelo poder público.

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